sexta-feira, 16 de junho de 2017

Amor Doentio

Faço-te várias investidas, feito um galo de briga
Olho para seus olhos que refletem o brilho do sol
Pele macia feito o grão de neve
Em plena segunda-feira lhe faço essa dedicatória malfeita
Avistando seu reflexo no oceano,
Indicando que ele saiba o quanto te amo
Um romance nada meloso é impossível,
Pois me apaixonei logo que admirei teu lindo rosto,
Tão misterioso, com um sorriso instigante
Que não consigo diminuir a quantidade de palavras,
Fazendo-te um texto de frases aladas.

Talvez chegue o dia que lhe escreva um belo poema
Descrevendo o sentimento passional que tanto me condena
O que sinto por ti é, para mim, um amor surreal
Não me imagino mais sem teu calor
Não me vejo em outro lugar diferente de onde estou
Sua simplicidade me tornou réu da saudade
Tantos procurando a felicidade,
E eu aqui, caçando o número da sua casa.

Dizem que a música é a melhor forma de serenata,
Talvez a única, mas transformarei esses versos em notas
Criadas no fundinho da minha alma
Elas demonstrarão como o compositor sente sua falta
Escreverei infinitamente, até que seus olhos me notem
Farei com que os meus dedos implorem
Prometo-lhe que não soltarei este amor
Se preciso for, eterniza-lo eu vou.

Busco sempre te impressionar
Busco sempre uma maneira de te agradar
Percebo a cada dia o quão difícil é te conquistar
Mas, não vou desistir, e um texto romântico irei lhe dar
Sou muito inocente,
Pois acredito que com as palavras certas, você irá me amar
Mas em que posso acreditar?
Já que você é um enigma tão difícil de solucionar
Tenho medo que eu possa te afastar de mim por algo que escrevi aqui
Desejo tanto criar uma declaração para tu se apaixonar
Versos que te façam entender que quero te namorar.

Meu sentimento por ti é enorme, e indescritível
Me causa uma desordem sem limite
Encontrei na dedicatória uma forma de lhe fazer um convite
Que, talvez no final, após ter lido, você aceite sair comigo
Meu coração parece precisar muito disso
É como se eu não encontrasse palavras suficientes para mostrar o que sinto,
É como se fosse algo impossível de ser escrito
Confesso que sou um marinheiro de primeira viagem,
Não possuo a experiência necessária, sou um aprendiz de fábrica
Navegando em águas desconhecidas, mas, de certa forma agradáveis
Procurando meu tesouro, que é, na verdade, minha "cara metade"
Sua casa é a direção que minha bússola aponta, sem saber se também me ama
Mas talvez isso não importa, só quero dedicar esses versos para a dama
Mesmo enfrentando ondas violentas,
Mesmo resistindo as tempestades extensas,
O meu objetivo é lhe dar meu amor doentio.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Um Lugar Para Um Louco

Talvez eu esteja ficando louco,
Pois, hoje eu fiz das minhas paredes uma plateia
Sozinho no quarto, fico conversando com elas
Um antissocial em busca de um lugar ideal,
Que algumas vezes possuí pensamentos surreais
Sem conseguir controlar os instintos naturais.

Talvez eu esteja excluído deste novo mundo,
Um mundo dominado pela alienação do adulto ao jovem prematuro
Não consigo raciocinar como podem existir pessoas ocas,
Sem consciência para pensar, refletir, que não falam nada quando abrem a boca
Sinto como se fosse o único a testemunhar a impotência das outras
Há quem diga que isso se deve ao controle das grandes potências
Mas, como duvido de tudo, devo discordar,
Há sempre a suspeita sobre o que possa ser lido
Pois, feito uma moeda, existem verdades com mentiras encobertas
Com uma simples opinião, digo que as pessoas já foram mais espertas
As mentes delas hoje estão desertas, aceitando ideias discretas
Leiloando seus pensamentos, à procura de uma ótima oferta.

Há brasileiros nos jornais, sobre atos judiciais
Entre os envolvidos, jovens sem diploma, com ideias criminais
E eu aqui pensando que os adultos eram os que deveriam guiar o bando
Mas o mundo, como sempre, está mudando
E hoje já não sei mais como aderir ao pensamento mundial,
Se todos são influenciados com gestos brutais,
Como o atentado na Europa, com cheiro de pólvora.

Talvez minha mente não esteja bagunçada como a de Darko
Posso até não carregar esse fardo,
Mas nada acontece por livre a caso
Poderia ser a teoria do caos, de fato
Seria eu mais um lunático solto no mundo a fora?
Ou apenas uma pessoa comum, sem defeito algum?
Pois, da atualidade, sinto que não faço parte
Nas músicas da moda que sempre me incomodam
Das brincadeiras da infância sinto saudade
Os novos estilos me dão sono
Os clássicos são os que amo.

Escolho então fechar a porta, e conversar comigo mesmo
Melhor falar sozinho, do que discutir com um mundo sem jeito
Seletivamente eu separo as palavras que aqui escrevo
Cuidadosamente tento meditar, em um texto reflexivo
Mas a barulhada do lado de fora atormenta meu lado pensativo
Fecho então as janelas, e silencio meus ouvidos,
Afim de escapar deste mundo que está em declínio
Que essa infecção de pessoas sem noção não chegue aos meus filhos
Hoje posso ser um jovem sem direção,
Mas mesmo sem saber onde ir, eu me perco entre meus textos líricos,
Sem ferir ninguém, sem fazer mal ou bem
Apenas estou aqui, escrevendo, com sentimentos.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Um Dia

Um dia irei voar
Um dia beijarei o mar
Me cobrirei com nuvens pelo ar
Voarei tão alto, onde nem mesmo Ícaro pudesse alcançar
Surfarei sobre o lindo arco-íris
Viajarei assim como as águas do Nilo
Nunca mas ficarei sozinho,
Pois o céu será meu melhor amigo
E, como no deserto, encherei meus olhos de miragens
Sentirei em meus braços a liberdade
E escutarei as sinfonias dos gênios clássicos
Meus pensamentos ficarão pacíficos e intactos.

Um dia eu serei livre
Um dia o céu dirá que sou bem-vindo
Me abraçarei ao manto divino
Aquecerei-me com o sopro vindo do Norte
E o Sul me dará a sorte,
Como um trevo de quatro folhas
Me guiarei, e irei para o infinito, como os dias da semana.

Haverá de ter um momento de corpo sereno
Um segundo que traga todo o tempo
Um dia eu ainda patinarei sobre o vento,
Cruzando os cata-ventos dos morros morenos
E sonho com a vinda deste dia
Onde existirá alegria compartilhada
Uma terra encantada.

Uma liberdade total, sem limites
Sem a ordem natural, sem a lei gravitacional
Onde tudo será possível e nada será normal
Poderei dar uma passada no espaço sideral,
Conhecer a Ursa Maior, e também a menor
Comparado com hoje, neste dia estarei me sentindo melhor
Estarei puro, com um sentimento sem nó
Estarei junto das estrelas, que se espalham feito pó.

E, para quem se sente só, vejam ao redor
Olhem para cima, vejam o céu brilhar
E, como eu, imaginem o infinito, tornem seus sentimentos mais íntimos
Mesmo que não sintam o carinho vindo de cima,
Tornem seus pensamentos seus amigos, e que suas memórias façam novas amigas.

Quem sabe eu viva até encontrar a paz
Quem sabe o mundo deixe as guerras para trás
Um dia, talvez, não haveremos de ter falsos profetas
Ou homens da ciência, dizendo que estamos próximos da destruição certa
Um dia seremos imunes à alienação e à corrupção
Ou se caso não aconteça, seremos escravos, sem jamais enxergarmos a imensidão.

Um dia, vinte e quatro horas, é o bastante,
Para eu alcançar o horizonte
Caminhar até o reino Tão Tão Distante
Assistindo as tradições sendo atropeladas pelas revoluções
E contemplando novos gênios nascerem,
Dando início a novas ideias e intenções.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Amor Mitológico

Amar-te é como uma brisa de verão
Indescritível, mas que aquece meu coração
Buscar um senso racional é inútil
Te amar se provou algo surreal
Chamem-me de estúpido
Teus olhos são reveladores, e misteriosos
Seus lábios são pecadores, e impiedosos
Tua pele és macia feito a neve
Te farei versos para entreter seus ouvidos
Lhe presentearei com um texto lírico
Peço-te, entretanto, teu sopro sobre meus ombros
Prometo transformar o céu em um oceano
Puramente para lhe mostrar o quanto lhe amo
Que o que sinto desafia o próprio mundo,
Que desceria ao Tártaro para ficarmos juntos
Serás tu a Perséfone sequestrada?
Se sim, eu lhe resgataria, e a traria de volta a sua casa.

Meu amor será um colosso, feito Tifão
Farei de tudo para sentir suas mãos
Levantarei o mundo, como Atlas, o titã
Com o seu carinho, faria flechas para o Cupido
E de Hefesto eu me tornaria um pupilo
E para ter seu brilho, de Hélio me tornaria amigo
As irmãs nos reservaram um belo destino,
E seremos abençoados diante do Monte Olimpo.

Por ti eu furtaria o fogo de Prometeu
E o brilho dele seria somente teu
Se pedir-me, lhe daria o raio de Zeus
E os céus seriam somente seus
Dei-me um sorriso, e o mar se contorcerá em redemoinhos
Avisando para o deus marinho,
Que tu tens o poder de ter tudo aquilo.

Faria mais que doze trabalhos
Por ti eu enfrentaria o Leão todos os dias de março
Tudo para ficar ao teu lado,
E jamais refletiria se o meu sangue fora desperdiçado
Pois você seria Helena de Troia, e eu um príncipe flagelado,
Por fim, subiria até os Alpes
Apenas para gritar que estou apaixonado.

Mangueiras

No condomínio está quem um dia amei
Está lá quem um dia fiquei alucinado
Não me lembro mais de quantas vezes me declarei
Todos ao meu redor sabiam como eu estava apaixonado
Muitas vezes eu provei a ela, me esforcei
Antes que eu me desse conta,
Ela me seduziu feito uma onda
Acabei me tornando um escravo daquela dama
Ela me induziu, e meu amor guiou-me como um rio
Eu estava satisfeito, sonhando com um casal perfeito
E me sentia um forasteiro,
Pois só eu sonhava com os lábios dela, seu beijo
O que eu sentia era de outro mundo,
Era muito confuso.

Naquela época eu faria de tudo por ela
Nada valia mais do que o sorriso dela
Naqueles anos eu me vi dependente,
Impaciente para ver uma garota sorridente
Dei importância a felicidade daquela criatura
O que eu sentia não caberia em uma caricatura
Eu estava sendo dominado por algo sobrenatural
Naquele tempo eu estava com um sentimento real
Mas a situação em que me encontrava era desigual
E para ela, tudo estava perfeitamente normal.

O tempo fez seu trabalho, e passou
E aqui estou, no ônibus sem trocador
Sentado perto dela, em outro banco
Sem crer que amava ela tanto
E hoje me sinto como um marciano,
Inapto a entender os sentimentos humanos
Tudo que vejo agora são memórias
Sinto-me como se ela fosse um piano sem cordas
De tão tocado, perdeu seu lindo charme
Não escondo o coração que já se partiu
Mas o ontem fora um passado, que já se despediu
Não sou dotado de falta daquela história.

Eu não me arrependo do que senti
Não esconderei jamais o que vivi
Já me apaixonei, já me enganei
Mas quem nunca amou, jamais irá me entender
Quem se engana,
Dirá que tudo escrito aqui fora um drama
Mas essa história faz parte de mim
E foi assim.

Refém do Tempo

Certa vez eu escutei que,
O segredo era não se importar com a dor
Seja quanto, ou onde for
Que a paz será daqueles que a merece
Que o pior a gente nunca esquece
Mas não me vai da memória a repetição
Tudo que faço não possui fim,
Tudo que vejo é a escuridão
Estou cercado por muros em minha imaginação
Perdi o sentido de viver
Indago sempre o porquê, e nunca escuto resposta
Talvez eu não possua uma escolha
Talvez eu não deva buscar uma simples lógica.

Meu orgulho foi-se junto ao ar puro
Vivo hoje sem pensar no futuro
Engaiolado me escuto soluçar
O passado se tornou o meu lar
Não possuo perspectiva de uma longa vida
Talvez, quem sabe, eu escape dessa rotina
Os seres daqui se movem feito rodovias
Barulhos e uma neblina sem vista
O ciclo não se envelhece, apenas as pessoas
Ele prevalecerá, e elas serão simples sopros que voam.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Minha Minas Gerais

Ando de dia em uma cidade agitada
Desfilo a noite sobre a cidade iluminada
Onde existem estrelas disfarçadas,
Onde a Lua se perde dentre tanto brilho
Onde os vaga-lumes encontram suas casas,
Onde os pássaros se escondem do frio.

Faço caminhadas por entre os passeios
Caminho sem rumo, sem senso
Sinto o vento me ultrapassar pelos becos
E, como uma fornalha, me aqueço, sem medo.

Vejo sombras a passar
Vejo criaturas metálicas a transitar
E no bosque, aquele aroma de final de semana,
Aquela sensação que meu corpo tanto ama
E mesmo sem ter o mar, eu viajo em ondas imaginárias
Escutando os sons vindos das minas
Memorizando as pedras nas idas e vindas.

Os tempos estão deveras mudado
Poucas são as vezes que vejo bois fora dos cercados
Os carros de madeira hoje estão nos museus
Mas se passo perto do arame farpado, escuto os mugidos do gado
E por dentro das rochas de minha igreja,
Ressoa as vidas dos escravos, imortalizados em lendas
Onde as pessoas dizem escutar o bater de suas algemas.

Meu querido estado, construído pelo barro
Das crianças dos pés descalços
Dos amantes do pão de queijo, e do caldo
Lindas mineiras, formosas por natureza
E sobre as montanhas, o nascer das cachoeiras
A selva verde, que torna a paisagem uma nova forma de beleza
O sabiá, que viaja por entre as árvores,
E descansa quando percebe que já está tarde.

Dos bosques e os parques ecológicos
Das chácaras aos incríveis zoológicos
E os diversos monumentos históricos
Mariana, Tiradentes, Outro Preto
São partes do descobrimento perfeito
Belo Horizonte, a capital do meu trânsito
Onde os semáforos entram em pânico.

Minha terra, que se estende através das serras
Meus córregos e rios, que percorrem por dentro das florestas
Aqui está meu recanto, vivo enxergando encantos
O Sol brilha, e reflete as pedras valiosa
Transformando as colinas em vistas maravilhosas
A terra de onde brota as flores mais belas
As andorinhas, que fazem acrobacias durante o dia
Eis que, acerca dos morros, estão os refúgios do louro
Ó terra divina, origem de minha vida
Ó terra de poetas, progenitora de palavras eternas.